{"id":32,"date":"2025-02-07T11:24:19","date_gmt":"2025-02-07T11:24:19","guid":{"rendered":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/?page_id=32"},"modified":"2025-02-14T15:04:34","modified_gmt":"2025-02-14T15:04:34","slug":"coloquio","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/","title":{"rendered":"Col\u00f3quio internacional"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>Escrever, agir, resistir: reconfigura\u00e7\u00f5es do <em>engagement<\/em> liter\u00e1rio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">6 e 7 de novembro 2025<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A interroga\u00e7\u00e3o sobre o papel do escritor na p\u00f3lis, que encontra na modernidade uma inflex\u00e3o decisiva com o paradigma rom\u00e2ntico do poeta vision\u00e1rio e do escritor exilado, assume hoje uma renovada prem\u00eancia cr\u00edtica. Da figura matricial de Victor Hugo que, do ex\u00edlio em Jersey, comp\u00f5e <em>Les Ch\u00e2timents<\/em> (1853) numa intrincada articula\u00e7\u00e3o entre combate pol\u00edtico e exig\u00eancia po\u00e9tica, \u00e0 radicalidade do postulado sartriano em <em>Situations II<\/em> (1948): \u201cL\u2019\u00e9crivain est en situation dans son \u00e9poque: chaque parole a des retentissements. Chaque silence aussi. Je tiens Flaubert et Goncourt pour responsables de la r\u00e9pression qui suivit la Commune\u201d, desenha-se uma genealogia do <em>engagement<\/em> que demanda hoje a ser criticamente reexaminada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Com efeito, o diagn\u00f3stico incisivo de Jean-Marie Le Cl\u00e9zio no seu discurso do Nobel &#8211; \u00ab Alors, pourquoi \u00e9crire ? L\u2019\u00e9crivain, depuis quelque temps d\u00e9j\u00e0, n&#8217;a plus l&#8217;outrecuidance de croire qu&#8217;il va changer le monde [&#8230;] Plus simplement, il se veut t\u00e9moin \u00bb (Le Cl\u00e9zio, 2008) assinala uma inflex\u00e3o fundamental na pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o do papel social e pol\u00edtico do escritor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Esta desloca\u00e7\u00e3o da figura do escritor-militante para a do escritor-testemunha n\u00e3o configura, contudo, um mero abandono de uma escrita comprometida. Observa-se antes uma multiplica\u00e7\u00e3o das suas modalidades: Annie Ernaux interroga as estruturas sociais atrav\u00e9s de uma escrita auto-socio-biogr\u00e1fica militante, Chimamanda Ngozi Adichie (Nig\u00e9ria\/EUA) reinventa o feminismo transnacional, enquanto Paul B. Preciado (Espanha) problematiza as pol\u00edticas identit\u00e1rias contempor\u00e2neas. No espa\u00e7o digital, Teju Cole (EUA\/Nig\u00e9ria) e Rupi Kaur (Canad\u00e1) transformam as redes sociais em laborat\u00f3rios de escrita militante, expandindo significativamente o alcance do engagement. Na poesia francesa contempor\u00e2nea, Michel Deguy, Marielle Mac\u00e9 e Jean-Christophe Pinson interrogam a responsabilidade ecol\u00f3gica do escritor. Na literatura de express\u00e3o alem\u00e3, Elfriede Jelinek, Juli Zeh e Eva Menasse, ou mesmo os escritores da dita gera\u00e7\u00e3o de 1968, tais como Peter Schneider e Uwe Timm, s\u00e3o frequentemente associados a uma <em>engagierte Literatur<\/em>, trazendo para primeiro plano a responsabilidade social do autor. Em Portugal, L\u00eddia Jorge e Valter Hugo M\u00e3e articulam mem\u00f3ria hist\u00f3rica e interven\u00e7\u00e3o no presente, numa renova\u00e7\u00e3o dos modos do <em>engagement<\/em> social. Paralelamente, Roberto Saviano (It\u00e1lia) e \u00c9douard Louis (Fran\u00e7a) incarnam uma nova gera\u00e7\u00e3o de intelectuais p\u00fablicos que, atrav\u00e9s de m\u00faltiplos suportes, conjugam cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, dando voz \u00e0s margens da sociedade. N\u00e3o menos importante, a voz de Dmytro Pavlytchko (1929-2023), na Ucr\u00e2nia, \u00e9 exemplo de uma poesia de resist\u00eancia, que usa a palavra como grito contra a viol\u00eancia e a opress\u00e3o, defendendo a preserva\u00e7\u00e3o da identidade cultural e a liberdade em tempos de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Este col\u00f3quio internacional prop\u00f5e-se examinar, numa perspetiva comparatista e transnacional, as metamorfoses do <em>engagement<\/em> liter\u00e1rio face aos desafios do s\u00e9culo XXI, interrogando em particular: que reconfigura\u00e7\u00f5es conhece hoje o <em>engagement<\/em> face \u00e0s muta\u00e7\u00f5es societais contempor\u00e2neas? Como se articulam os contextos nacionais e lingu\u00edsticos com os desafios globais? Que novas po\u00e9ticas da resist\u00eancia emergem neste panorama de transforma\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas liter\u00e1rias?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Convidamos \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de propostas de comunica\u00e7\u00e3o que tratem ou cruzem estes t\u00f3picos de reflex\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"has-medium-font-size\">Trajet\u00f3rias do <em>engagement<\/em> na literatura, do Romantismo \u00e0 contemporaneidade: deslocamentos e transforma\u00e7\u00f5es<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">Po\u00e9ticas da resist\u00eancia: viol\u00eancia, trauma e den\u00fancia<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">Literatura na pol\u00edtica, pol\u00edtica na literatura<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\"> (Inter)Discursos e (re)configura\u00e7\u00f5es do <em>engagement<\/em> na escrita liter\u00e1ria<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">\u00c9tica e\/m escrita: responsabilidade e testemunho<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">P\u00f3s-colonialismo, resist\u00eancia e reconfigura\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">Literatura e ecocr\u00edtica: desafios da justi\u00e7a ambiental<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">(Des)Igualdade de g\u00e9nero: escrita, representa\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">Literatura entre artes: modaliza\u00e7\u00f5es <em>engagement<\/em> na escrita liter\u00e1ria<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">Tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e ativismo<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-medium-font-size\">Literatura, resist\u00eancia e interven\u00e7\u00e3o em contexto digital<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrever, agir, resistir: reconfigura\u00e7\u00f5es do engagement liter\u00e1rio 6 e 7 de novembro 2025 A interroga\u00e7\u00e3o sobre o papel do escritor na p\u00f3lis, que encontra na modernidade uma inflex\u00e3o decisiva com o paradigma rom\u00e2ntico do poeta vision\u00e1rio e do escritor exilado, assume hoje uma renovada prem\u00eancia cr\u00edtica. 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L\u2019\u00e9crivain, depuis quelque temps d\u00e9j\u00e0, n&#8217;a plus l&#8217;outrecuidance de croire qu&#8217;il va changer le monde [&#8230;] Plus simplement, il se veut t\u00e9moin \u00bb (Le Cl\u00e9zio, 2008) assinala uma inflex\u00e3o fundamental na pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o do papel social e pol\u00edtico do escritor. Esta desloca\u00e7\u00e3o da figura do escritor-militante para a do escritor-testemunha n\u00e3o configura, contudo, um mero abandono de uma escrita comprometida. Observa-se antes uma multiplica\u00e7\u00e3o das suas modalidades: Annie Ernaux interroga as estruturas sociais atrav\u00e9s de uma escrita auto-socio-biogr\u00e1fica militante, Chimamanda Ngozi Adichie (Nig\u00e9ria\/EUA) reinventa o feminismo transnacional, enquanto Paul B. Preciado (Espanha) problematiza as pol\u00edticas identit\u00e1rias contempor\u00e2neas. No espa\u00e7o digital, Teju Cole (EUA\/Nig\u00e9ria) e Rupi Kaur (Canad\u00e1) transformam as redes sociais em laborat\u00f3rios de escrita militante, expandindo significativamente o alcance do engagement. Na poesia francesa contempor\u00e2nea, Michel Deguy, Marielle Mac\u00e9 e Jean-Christophe Pinson interrogam a responsabilidade ecol\u00f3gica do escritor. Na literatura de express\u00e3o alem\u00e3, Elfriede Jelinek, Juli Zeh e Eva Menasse, ou mesmo os escritores da dita gera\u00e7\u00e3o de 1968, tais como Peter Schneider e Uwe Timm, s\u00e3o frequentemente associados a uma engagierte Literatur, trazendo para primeiro plano a responsabilidade social do autor. Em Portugal, L\u00eddia Jorge e Valter Hugo M\u00e3e articulam mem\u00f3ria hist\u00f3rica e interven\u00e7\u00e3o no presente, numa renova\u00e7\u00e3o dos modos do engagement social. Paralelamente, Roberto Saviano (It\u00e1lia) e \u00c9douard Louis (Fran\u00e7a) incarnam uma nova gera\u00e7\u00e3o de intelectuais p\u00fablicos que, atrav\u00e9s de m\u00faltiplos suportes, conjugam cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, dando voz \u00e0s margens da sociedade. N\u00e3o menos importante, a voz de Dmytro Pavlytchko (1929-2023), na Ucr\u00e2nia, \u00e9 exemplo de uma poesia de resist\u00eancia, que usa a palavra como grito contra a viol\u00eancia e a opress\u00e3o, defendendo a preserva\u00e7\u00e3o da identidade cultural e a liberdade em tempos de guerra. Este col\u00f3quio internacional prop\u00f5e-se examinar, numa perspetiva comparatista e transnacional, as metamorfoses do engagement liter\u00e1rio face aos desafios do s\u00e9culo XXI, interrogando em particular: que reconfigura\u00e7\u00f5es conhece hoje o engagement face \u00e0s muta\u00e7\u00f5es societais contempor\u00e2neas? Como se articulam os contextos nacionais e lingu\u00edsticos com os desafios globais? Que novas po\u00e9ticas da resist\u00eancia emergem neste panorama de transforma\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas liter\u00e1rias? Convidamos \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de propostas de comunica\u00e7\u00e3o que tratem ou cruzem estes t\u00f3picos de reflex\u00e3o:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-32","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/32","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=32"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/32\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":378,"href":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/32\/revisions\/378"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/engagementlit2025.web.ua.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=32"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}